introdução

Aqueles que já conseguiram erguer um pouco o véu do conhecimento e encontrar meios para o seu aperfeiçoamento espiritual devem partilhar, até onde é possível, aquilo que descobriram e adotaram como verdade.
O que já alcançamos, embora nos pareça pouco, representará muito para os que nada têm e vivem debatendo-se em crenças errôneas, angústias, ignorância e preconceitos, procurando dignidade, sentido e coerência para o seu caminho espiritual. Estamos preocupados com os que caminham tropegamente pelos atalhos, procurando a mesma estrada que já encontramos, e a estes é dedicado esse pequeno trabalho. Talvez o tempo perdido batendo em portas falsas venha a desiludi-los de tal modo que não mais acreditem num portal que lhes seja aberto por alguém de boa vontade.
Nossa missão é, portanto, aqui e agora. A herança mais valiosa que poderemos deixar nessa existência será o grau de aperfeiçoamento e conhecimento que tivermos conseguido e transmitido ao nosso semelhante.
A intenção dessa página, que reúne parte dos assuntos ministrados em aula aos membros do Templo e Escola Umbandista Luz de Aruanda, é a de ser uma pequena semente que, se Oxalá permitir, germinará no interior de alguns e se transformará numa grande árvore de conhecimento.
Torna-se difícil conceituar, em poucas palavras, as bases principais da Umbanda que praticamos e cada aspecto será desenvolvido posteriormente com riqueza de detalhes. Mas, fundamentalmente, a nossa Umbanda se baseia:

 

 

    • el, Criador, Onip
    • na existência de um Deus, Único, incognoscív
    • resente, origem de todas as vibrações;
    • na existência de Jesus, o Cristo, a quem chamamos Oxalá, modelo de perfeição e conduta que buscamos alcançar;
    • na existência de vibrações no Universo que denominamos Orixás;
    • na existência de entidades espirituais que se encaixam nessas vibrações;
    • na existência de planos espirituais de evolução;
    • na existência do espírito, sobrevivendo ao corpo físico do homem, em caminho de evolução e buscando aperfeiçoamento;
    • na reencarnação e na lei kármica de causa e efeito;
    • na prática da mediunidade sob as mais variadas apresentações, tipos e modalidades;
    • na prática da caridade material e espiritual como meio de evolução;
    • na crença de que o homem vive num campo de vibrações que influem em sua vida e que essas vibrações podem ser manipuladas quer para o seu próprio bem, como fazemos, ou para o seu próprio mal, como combatemos.

 

 

 

Tudo isso é Umbanda, religião de fé, luz, caridade, esperança e, primordialmente, de amor ao próximo.

Nossos agradecimentos aos babalorixás Paulo Newton de Almeida e Raul d'Almeida (in memoriam), respectivamente o babalorixá-chefe e o ex-pai-pequeno do Templo Umbandista A Caminho da Luz, que plantaram em nós essa mesma semente que agora procuramos multiplicar.

Sincera e fraternalmente

 

 

 

 Entendendo a Umbanda


Por: Newton C. Marcellino
Críticas e sugestões: newton.utf@gmail.com
 
Capítulo 1 – Cantar, bater palmas e tocar atabaques
 
            A importância dos cursos de Umbanda é visivelmente clara, pois faz com que os freqüentadores e membros da corrente mediúnica entendam cada processo do ritual e sintam fazer parte da religião. Uma vez que o véu do secreto é baixado, um mundo rico e cheio de luz é mostrado a todos, e o desenvolvimento e crescimento tanto pessoal religioso quanto da religião em si, é consequência do aprendizado adquirido.
Aqui contamos a história da sacerdotisa Sofia, que já contava com alguns anos à frente de seu terreiro e sempre ministrava cursos sobre Umbanda para poder sanar as dúvidas dos membros da corrente mediúnica.
            Em um desses cursos, vários alunos perguntaram:
            - Porque nas giras cantamos? Porque batemos palmas? Porque usamos os atabaques?
            Calmamente Sofia se posicionou e explicou a todos:
            - Quando vocês vêm ao terreiro, nem todos conseguem ter um dia calmo e tranquilo, alguns até brigam e discutem com outras pessoas durante o dia, e isso prejudica o nível de vibração energética de seus corpos, e por isso, nessa situação, vocês sentem cansaço, o corpo pesado e o esgotamento físico. Essa vibração negativa atrapalha o andamento das giras do terreiro e dificulta a incorporação dos guias em seus médiuns.
            Sabiamente, nossos guias espirituais nos ensinaram algumas maneiras de diminuir essa vibração negativa e facilitar o trabalho espiritual.
            Para começar, se todos vocês baterem palmas agora, verão que cada um vai iniciar de um jeito e com um ritmo próprio, porém, alguns minutos depois, todos estarão batendo palmas no mesmo ritmo e com a mesma intensidade. Aos poucos vocês vão esquecendo dos problemas e começam a prestar mais atenção às outras pessoas, isso porque a vibração de seus corpos está mudando para melhor.
            Ao cantar, algo semelhante acontece! Em pouco tempo, todos cantam juntos, seguem o mesmo ritmo, e a vibração positiva aumenta mais ainda!
            Vocês podem perguntar então: porque seguimos o mesmo ritmo em tão pouco tempo?
            Ora, se perceberem, as palmas seguem o ritmo das batidas do coração, e as músicas que todos cantam mais facilmente, também seguem o coração! E o nosso cérebro entende que se tudo está seguindo o coração, significa que está tudo bem! Por isso nos sentimos bem!
            Pensando dessa maneira concluímos que as batidas nos atabaques reforçam mais ainda o ritmo cardíaco!
            - Ah! Mas se alguém está muito agitado quando chega ao terreiro, seu coração está disparado, num ritmo muito mais rápido do que aquele que está sentado, extremamente calmo!
            - Sim! Mas é por isso que quando começamos a bater palmas ou começamos a cantar nosso ritmo é diferente dos outros, mas à medida que vamos nos acalmando ou saímos de um estado de calmaria, nosso ritmo cardíaco vai se igualando com o das outras pessoas!
            - E nesse caso, como os ogãs acertam o ritmo de suas batidas nos atabaques?
            - Sem saber, os ogãs são preparados para diferenciar o ritmo cardíaco e o ritmo que eles conhecem mentalmente, por isso eles conseguem tocar no ritmo certo! Os ogãs iniciantes, normalmente esperam os mais experientes a tocar para poder entrar logo em seguida nos toques, mas com o passar do tempo eles aprendem o ritmo certo.
            - Mas estar com o ritmo cardíaco controlado ajuda na incorporação?
            - Ajuda sim! Uma vez que seu ritmo cardíaco está controlado, seu corpo fica mais relaxado e você não foca tanto em seus problemas. Com isso, sua vibração energética corporal sobe, quase que igualando com a vibração energética dos guias espirituais! Isso facilita muito a incorporação, pois os guias não precisam abaixar a energia deles para poder manter a comunicação com seus médiuns!
            - Se é assim, se passamos a vibrar na mesma sintonia do guia, porque cantamos para o guia subir ao final da gira?
            - No decorrer da gira, se os membros da corrente pararem de cantar, tocar os atabaques e bater as palmas, nosso corpo tende a corrigir o ritmo cardíaco dependendo da circunstância que nos encontramos, ou seja, por ficar muito tempo em pé ou sentado, alguns nervos do nosso corpo ficam tensos ou relaxados, exigindo mais ou menos fluxo sanguíneo, e isso altera o ritmo cardíaco, entre outros fatores possíveis! Ora, para que o guia espiritual volte para Aruanda e nós ficarmos bem, cantamos para eles subirem para reajustar nosso batimento cardíaco! Além disso, por estarmos com a vibração boa, evitamos a aproximação de espíritos inferiores, de baixa vibração!
            - Então é só por isso que cantamos, batemos palmas e tocamos atabaques na Umbanda?
- Não! Isso tudo que expliquei é para que vocês entendam que nada é em vão na Umbanda! Nossos rituais, com suas músicas, danças e ritmos enriquecem e embelezam a religião! E tem mais! As músicas de Umbanda são consideradas como um ritmo único, assim como o jazz e o rock também o são! E claro que, este assunto que falamos, foi bem resumido e outras energias e vibrações estão envolvidas nesses rituais, mas acho que já deu pra ter uma noção maior de como funciona a nossa Umbanda e ver como é rica a religião!
 

TIRADA DO SITE UMBANDA TEM FUNDAMENTO

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